Eu acompanho o Ilha Pura desde o início e participei da comercialização do projeto quando trabalhava na Brasil Brokers. Lembro bem da primeira vez que entrei no stand de vendas. O projeto impressionava. As plantas eram amplas, o parque já mostrava o potencial que teria no futuro e a proposta urbanística era algo muito diferente do que existia no mercado carioca.
Até hoje me recordo dos plantões, das conversas entre corretores e até das famosas línguas de gato e dos biscoitos que ficavam na mesa de café. Existia uma expectativa enorme em torno do projeto.
Mas havia um problema.
Os clientes achavam os preços altos e, para ser sincero, eu também achava. O Ilha Pura era um produto que estava anos à frente do seu tempo, mas o mercado ainda não conseguia enxergar todo o valor que existia ali.
Após os Jogos Olímpicos de 2016, o cenário ficou ainda mais difícil. O mercado imobiliário do Rio de Janeiro entrou em uma forte crise, os lançamentos diminuíram drasticamente e a demanda desapareceu. Nesse contexto, a Carvalho Hosken se viu diante de um enorme desafio: um bairro planejado com 31 torres concluídas e centenas de unidades ainda sem ocupação.
O produto era excelente. O problema era outro.
O mercado não percebia o valor que justificava aqueles preços.
O desafio que o mercado não enxergava
A Carvalho Hosken sempre acreditou no projeto, mas nunca foi uma empresa conhecida pela flexibilidade comercial ou pela capacidade de adaptar sua estratégia ao momento do mercado. Em uma época de retração, isso acabou dificultando ainda mais a absorção do empreendimento.
Foi nesse momento que o BTG, através da Enforce, enxergou uma oportunidade que poucos perceberam.
Depois de assumir o controle do projeto em uma operação estimada em cerca de R$ 1,5 bilhão, o grupo investiu mais de R$ 220 milhões no reposicionamento do bairro. Na minha opinião, foi uma das operações imobiliárias mais inteligentes realizadas no Rio de Janeiro nos últimos anos.
O BTG não comprou apenas apartamentos ou terrenos. Comprou um bairro praticamente pronto, com infraestrutura consolidada, um parque de mais de 70 mil metros quadrados, áreas de lazer, paisagismo e um conceito urbanístico que continua difícil de encontrar em outros empreendimentos da cidade.
Talvez o maior mérito da nova gestão tenha sido entender que o Ilha Pura não precisava ser reconstruído. Precisava ser reposicionado.
O reposicionamento do bairro
A estratégia adotada ficou cada vez mais clara ao longo dos anos. O bairro voltou a ganhar protagonismo, a confiança do mercado foi sendo recuperada e novos empreendimentos passaram a reforçar seu posicionamento de alto padrão.
Isso ficou evidente com a aposta nos chamados branded residences. Primeiro veio o Oro by Ornare. Depois, o Pura por Artefacto. Mais do que novos lançamentos, esses projetos ajudaram a fortalecer a marca Ilha Pura e aumentar a percepção de valor de todo o bairro.
Ao associar o empreendimento a marcas reconhecidas de design e decoração, o BTG não estava apenas lançando novos produtos. Estava reforçando uma mensagem para o mercado: o Ilha Pura deveria ser visto como um dos bairros residenciais mais diferenciados da Barra da Tijuca.
O que mudou para quem visita o Ilha Pura hoje
Quem conheceu o Ilha Pura alguns anos atrás e retorna hoje percebe rapidamente a diferença.
A primeira mudança, na minha visão, foi a credibilidade. O mercado voltou a acreditar no projeto. Depois veio a ocupação. Mais moradores, mais vida nas áreas comuns e uma sensação muito maior de pertencimento.
O parque também merece um capítulo à parte.
Durante alguns períodos, era perceptível que a manutenção já não recebia a mesma atenção de antes. Hoje a realidade é diferente. O parque voltou a ser tratado como o grande patrimônio do bairro. E não poderia ser diferente.
Em uma região cada vez mais adensada, dificilmente veremos surgir outro empreendimento capaz de oferecer uma área verde com a mesma dimensão, qualidade e integração ao dia a dia dos moradores. É um diferencial que não pode ser copiado e que tende a se tornar ainda mais valioso com o passar dos anos.
Um produto que continua diferente do mercado
As plantas são outro ponto que merece destaque.
Enquanto grande parte dos lançamentos atuais aposta em apartamentos compactos para reduzir o valor final das unidades, o Ilha Pura continua oferecendo metragens generosas, ambientes amplos e layouts voltados para famílias. São características cada vez mais raras no mercado e que ajudam a explicar por que tantas pessoas redescobriram o bairro nos últimos anos.
Outro diferencial é que o bairro foi pensado como um conjunto. O parque, os condomínios, as áreas de convivência e a infraestrutura urbana fazem parte da mesma proposta. Essa integração ajuda a criar uma experiência de moradia que continua difícil de encontrar em outros empreendimentos da região.
O mercado finalmente entendeu o Ilha Pura?
O curioso é que os principais atributos que fazem sucesso hoje sempre estiveram presentes.
O parque já existia.
As plantas amplas já existiam.
A infraestrutura já estava pronta.
O que mudou foi a forma como o mercado passou a enxergar tudo isso.
Hoje, olhando para o mercado da Barra da Tijuca, considero o Ilha Pura uma das melhores oportunidades para quem busca qualidade de vida e um dos melhores valores por metro quadrado entre os empreendimentos de alto padrão da região.
Talvez essa seja a maior prova de que a estratégia do BTG funcionou.
O bairro não precisou mudar sua essência. Precisou apenas que o mercado finalmente reconhecesse o valor que sempre esteve ali.